A última vez em que estive aqui era maio de 2013. Hoje já estamos às vésperas de 2014. Mas eu tenho um motivo muito bom para ter me afastado do blog. Na verdade, os acontecimentos foram se atropelando e, pouco a pouco, essa página foi perdendo um pouco do sentido para mim. A Cristiane de maio de 2013 não é a mesma deste dezembro - véspera de Natal. As transformações ocorridas foram tão profundas que eu quase posso tocá-las com as mãos. A rigor, nunca seremos os mesmos, a passagem inexorável do tempo vai nos transformar sempre, querendo ou não. O que importa mesmo é o que fazemos com isso. Sempre que falo sobre esse assunto acabo lembrando de um poema lindo, que diz: "atravessei o século e ainda não me percorri". Pois então, percorrer-se é sempre uma escolha. E uma escolha muito corajosa, diga-se. Mas, para variar, eu já estou divagando...
Chegou um momento em que o nome deste blog, "dreamer au pair", já não me dizia muita coisa (primeiro porque este não é mais um blog de uma aspirante a au pair, mas já estou me adiantando, a história é mais longa do que isso) e esse é o motivo da mudança para "voando as tranças". Cresci ouvindo minha mãe usar essa expressão. Quando ela dizia isso minha imaginação infantil produzia a imagem de uma guria andando velozmente em uma bicicleta enquanto o vento lhe balançava os cabelos cuidadosamente arrumados em duas tranças, uma de cada lado do rosto. Para mim, não há melhor tradução de liberdade. Ainda hoje quando ando de carro (a vida maluca da cidade me fez aposentar a bicicleta) gosto de abaixar bem o vidro e sentir o contato do vento com a minha pele. Tipo cachorro mesmo hahaha
Já to me enrolando e ainda nem comecei a contar porque tudo mudou tanto. Ok, vamos aos fatos. Em maio deste ano eu finalmente consegui minha CNH e pensei que iria ficar online em breve. Os planos de ser au pair continuavam firmes e, agora, cheios de esperança. Mas aí eu resolvi me inscrever para uma bolsa de intercâmbio e quem me conhece sabe que eu sempre quis ganhar uma bolsa (peraí, mas quem não quer???) então volta e meia me inscrevia para alguma. Só que dessa vez deu certo. Eu quase não cabia em mim de tanta felicidade. Apenas um dia depois meu castelinho de areia ruiu. Fui do céu ao inverno em 24 horas.
Agora começa a parte complicada e eu não sei até que ponto posso esmiuçar essa história por aqui. Resumindo: tive problemas com a bolsa, eu preenchia perfeitamente os pré-requisitos e também estava classificada segundo o edital, mas, por motivos que até hoje eu ainda desconheço por completo, a bolsa me foi, digamos assim, tirada. O argumento era: "o cálculo do coeficiente de rendimento é feito a mão (WTF??) e infelizmente houve um erro. Há um aluno com um décimo acima da sua nota e você, então, desce do 4º para o 5º lugar. São apenas 4 bolsas. Lamentamos o ocorrido e você está convidada a se inscrever para as bolsas que estão com editais abertos". Curiosamente só perceberam o erro depois que eu fui comunicada por telefone e email de que a bolsa era minha. Não vou entrar no mérito do cálculo a mão e nem ficar falando se eu acredito ou não que houve mesmo um erro (e não favorecimento de outra pessoa, já que eu nunca tive acesso aos "dados"). Apenas entendo que o certo seria analisar minuciosamente as médias de todos os inscritos e somente divulgar o resultado depois de ter certeza de que o cálculo está correto. Divulgar um resultado e depois voltar atrás é brincar com a vida das pessoa e eu demorei muito para me recuperar desse sobressalto. Veja bem, levei quase 7 meses para conseguir escrever sobre isso. Para usar um termo bem gaudério: sofri feito bicho.
Durante algum tempo eu ainda tive que aguentar as pessoas me parabenizando pela conquista e perguntando quando eu ia embarcar. Era o pior pesadelo que eu podia imaginar. Mas aí, nem sei bem como, eu respondia falando que estava tudo certo e avisando a data de embarque. Fiz isso enquanto não tinha uma resposta OFICIAL do órgão que me concedeu a bolsa (e depois a tirou de mim) porque eu resolvi LUTAR contra a injustiça. Prefiro não dar nome aos bois, porque, confesso, tenho medo de me incomodar. Mas ~ entendedores entenderão ~
Foi nessa época que a querida Bruna Amaral, a quem acompanho desde a época da coluna "Intercambiando" nas contra-capas do Caderno Vestibular de Zero Hora, escreveu em seu blog um post muito lindo contando um pouco da minha história. Eu havia contado a ela sobre a bolsa e agradecido pelo empurrãozinho que ela me deu falando as palavrinhas mágicas "eu simplesmente me inscrevi" em resposta a minha pergunta sobre como ela tinha ganho tantas bolsas de intercâmbio (se não me engano, na época, eram 6. E hoje ela está na Alemanha, adivinhem como... com uma nova bolsa! hahaha). Bruna me lembrou que é, sim, possível. E se eu tinha conseguido uma vez eu conseguiria de novo.Cada linha que eu tento escrever sobre isso acaba escorregando para um tom de "autoajuda" e esse não é meu objetivo aqui hehe. Só que, eu já ia me esquecendo, quando a Bruna publicou o post eu já estava, tecnicamente, sem a bolsa. Nunca havia sentido nada tão híbrido, era felicidade e tristeza ao mesmo tempo. E o pior: tinha que sofrer em silêncio. Enquanto a resposta oficial não saía eu não tinha nada, nem bolsa e nem novo-destino-possível (como reparação pelo suposto erro), eu só esperava, meio que anestesiada pela dor. E ela terminava o post dizendo: "Então, se inspirem no exemplo da Cristiane e simplesmente corram atrás dos seus sonhos. Vale a pena mesmo". Corro o enorme risco de parecer piegas, mas eu chorei lendo isso. E digo hoje: obrigada de novo, Bruna. A única coisa que eu podia fazer por mim mesma era continuar. E cair faz parte. Levantei, juntei os caquinhos, e persegui lutando pelos meus sonhos. Não, mais do que isso, lutando pelos meus DIREITOS. O que tinham feito comigo era muito grave e todos os envolvidos sabiam que eu estava coberta de razão, não havia justificativas plausíveis para o ocorrido (e me desculpem por não poder ser totalmente clara aqui). Então, veio a resposta oficial: me foi oferecida uma bolsa semelhante, fora do edital. Se eu aceitasse o embarque seria dali a 20 dias. Eu disse sim e comecei a arrumar as malas. Meu novo destino seria a Coreia do Sul por 4 incríveis semanas!
É preciso dizer que eu nunca me senti menos merecedora dessa bolsa por não ter concorrido a ela no edital. Ela era minha por merecimento. O mais incrível é que, analisando os pré-requisitos da bolsa da Coreia e conversando com os outros contemplados, percebi que se eu tivesse me candidatado a ela eu teria ganho!! Isso porque a principal forma de escolha é pelo coeficiente acadêmico e o meu era o suficiente para ter entrado na classificação. Faltou o quê? Me inscrever, é claro. Mas tenho como me defender: eu realmente não vi que essa bolsa estava aberta, do contrário certamente teria feito a inscrição. Quer motivo maior para acreditar que se deve sempre arriscar?
Mas a história não termina aí. Tive um mês maravilhoso na Coreia e voltei transformada. De repente, a ideia de ser Au Pair nos Estados Unidos não me parecia mais tão atrativa. Comecei a me deixar encantar pela Europa, cada vez mais. Aí vi a oferta de uma bolsa e então as palavrinhas mágicas "eu simplesmente me inscrevi" ressoaram na minha mente. Só que agora eu estava machucada, a casquinha da ferida mal tinha se formado e eu já estava lá cutucando ela com o dedo. Medo de acontecer de novo, medo de não acreditar mais na idoneidade da seleção, medo de não ganhar, medo até de ganhar. Mas onde já se viu ter medo de vencer? Resolvi meter todos esses medos numa gavetinha e me inscrever nessa nova bolsa para a Europa.
Qualquer um que já se candidatou para qualquer coisa nessa vida sabe que o processo gera sofrimento. Tentar controlar o poder sufocador da expectativa é um desafio. Mas, desculpem a ingenuidade de citar o óbvio, quem não se inscreve não ganha. Nunca. Aprendi com a Bruna que a gente nunca sabe o que esperar do "recrutador de bolsas" e, na pior das hipóteses, a gente sai mais experiente e já sabendo mais ou menos o que esperar da próxima seleção. Eu já tinha tentado várias outras vezes e já tinha me frustrado em todas elas. Na última foi o trauma que acabei de relatar. Mas algo me dizia que desistir não era o caminho. Pois bem, até parece brincadeira, ou uma peça pregada pelo destino, mas.... eu ganhei a tal bolsa para a Europa. Em 2014 esta guria, cujos pai estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental e a mãe concluiu o Ensino Médio depois de adulta com supletivo, vai acessar o Ensino Superior em uma das universidades mais antigas da Europa. Que salto de uma geração para a outra, não?
Mas, sempre tem um "mas" né, eu ainda não vou ficar falando qual a cidade, nem onde vou estudar, quanto tempo vou passar fora e tal... ainda faltam alguns meses para eu ir e até lá, enquanto eu não tiver meu visto e carta de aceitação, vou ficar na minha, ok? Acho justo depois de tanta coisa hehe
Escrevi tudo isso para dizer que, a partir de agora, esse não é mais um blog de Au Pair. É um blog de uma guria que gosta de andar por aí voando as tranças...
E FELIZ 2014 PARA TODO MUNDO!
P.S.: depois que tudo se acertar eu preciso quitar minha dívida com a Bruna. To devendo um post a ela contando a história completa
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
ONE STEP CLOSER
Todo mundo com tempo de sobra para ler um post gigante? hahaha
Este é um post muito esperado por mim, eu não via a hora de chegar aqui e gritar: "EU PASSEIIIIIII.... AHA..UHU...A CNH É MINHA!!!" hehehe
Para alguns, isso significa muito pouco, mas para mim é um degrauzinho a mais, one step closer. E como eu sofri para conseguir! Eu estava com vergonha de revelar isso, mas decidi contar: RODEI 6 VEZES (sim, você leu certo, foram 6 vezes). Seis vezes em que não consegui, seis vezes em que caí e levantei de novo. Doeu, me dilacerei, mas segui em frente (nem sempre tão firme quanto eu gostaria, porém sem nunca desistir).
Hoje eu sabia que seria meu dia. Só que isso não era garantia de nada porque em todas as vezes eu acreditava em mim, eu nunca encarei uma prova achando que não ia conseguir. O que eu fiz de diferente hoje? Bom, eu acho que hoje eu tive mais fé. É incrível como essa palavrinha de apenas duas letras pode ser tão poderosa! E a fé não precisa ser necessariamente em um ser celestial e superior, se você não tem religião, deposite toda a fé em você. Parece balela ou conversinha de autoajuda, mas dá muito certo. No meu caso, a minha fé não era apenas em mim, era também em Deus, eu sabia que Ele estaria me guiando. Horas antes da prova eu pedi a benção de um padre, ele estendeu a mão sobre a minha cabeça e fez uma oração. Ao final, ele disse: "é você que tem que acreditar". Aquilo me aliviou, me tranquilizou.
Mas na hora da prova não tem jeito, o nervosismo sempre pega a gente. Eram 13 pessoas, 12 mulheres e apenas um homem. Acho que tinha muito hormônio feminino reunido ali, era muito "mimimi", muita conversa fiada e blablabla sobre a prova. Quando chegou perto da minha vez eu me afastei, tentei não deixar que o nervosismo alheio me atrapalhasse. A baliza foi um show! Mas meu problema era sempre o percurso. Cheguei na lomba, a temida lomba, justamente a pior onde o examinador poderia me levar. Estacionei e na hora da arrancada os pneus cantaram levemente. Perdi 3 pontos. Minha sorte é que eu não sabia dessa penalidade, senão teria ficado ainda mais nervosa. Saí da lomba e o examinador deu só uma voltinha e em seguida eu já estava de novo no local de saída da prova. Pensei: "passei, eu devo ter passado. Será que não?". Quando desci do carro eu mal sentia as pernas, elas estavam bambas! Não consigo me lembrar de alguma outra ocasião da minha vida em que isso tenha acontecido. E o examinador não falava NADA, só escrevia, escrevia, escrevia... Até que eu disse: "me fala logo esse resultado porque eu to tendo um ataque". Aí ele disse: "parabéns!"
Nunca, em nenhuma das 6 vezes em que rodei, eu derramei uma lágrima. Não sei explicar porquê, às vezes tinha vontade, mas o choro simplesmente não vinha. Mas diante da vitória eu desabei em choro, abracei meu instrutor e finalmente respirei aliviada.
Não fosse essa demora para obter a CNH eu já poderia estar online. Mas prefiro acreditar naquela frase clichê que diz que "Deus escreve certo por linhas tortas". Aprendi muita coisa nesse período em que o meu processo de au pair estava praticamente paralisado pela falta da bendita carteira de motorista. Treinei a paciência, descobri sentido em coisas que antes me pareciam sem explicação e adquiri mais autoconfiança. Além disso, se tivesse passado de primeira eu com certeza não seria uma boa motorista. Naquela época eu não estava pronta. Depois de cada reprovação, eu remarcava mais aulas e pagava uma nova taxa pelo reteste. Para ser sincera, eu me sentia extorquida toda vez que entrava ou saía do CFC. Aquilo é uma máquina de arrecadar dinheiro. Um absurdo! E eu sempre ali com meu cartaozinho da poupança (dinheiro que guardei para o au pair) estendido em direção a atendente: "passa no débito, por favor". E assim foram-se cerca de 2.500 reais!!! Essa deve ser a CNH mais cara de todos os tempos. Viu? Quem mandou rodar tantas vezes e marcar tantas aulas extras? A parte boa de tudo isso é que hoje, depois de ter passado por essa situação, eu me sinto uma motorista de verdade! Hoje eu encaro o volante com segurança!
Essa vitória tem um gostinho super especial porque eu só tirei a CNH em função do au pair. Antes de decidir encarar esse intercâmbio eu nunca tinha nem ligado um carro. Agora vou procurar praticar mais e mais e, se der, arranjar algum carro automático para já ir me acostumando.
Em pouco tempo estarei online pela CI - APC, assim que eu tiver a CNH em mãos (a princípio, na próxima quarta-feira, 15/05) meu app já estará saindo do status "Review by local rep" para ONLINE!
Para terminar, eu quero compartilhar com vocês o vídeo de uma música que me bota MUITO para cima.
"Times are hard, so lets drink to what we got. Take your shot, have some faith. Singing these long days will be worth it when we're older, weight is off our shoulder. I'll drink to that"
Este é um post muito esperado por mim, eu não via a hora de chegar aqui e gritar: "EU PASSEIIIIIII.... AHA..UHU...A CNH É MINHA!!!" hehehe
Para alguns, isso significa muito pouco, mas para mim é um degrauzinho a mais, one step closer. E como eu sofri para conseguir! Eu estava com vergonha de revelar isso, mas decidi contar: RODEI 6 VEZES (sim, você leu certo, foram 6 vezes). Seis vezes em que não consegui, seis vezes em que caí e levantei de novo. Doeu, me dilacerei, mas segui em frente (nem sempre tão firme quanto eu gostaria, porém sem nunca desistir).
Hoje eu sabia que seria meu dia. Só que isso não era garantia de nada porque em todas as vezes eu acreditava em mim, eu nunca encarei uma prova achando que não ia conseguir. O que eu fiz de diferente hoje? Bom, eu acho que hoje eu tive mais fé. É incrível como essa palavrinha de apenas duas letras pode ser tão poderosa! E a fé não precisa ser necessariamente em um ser celestial e superior, se você não tem religião, deposite toda a fé em você. Parece balela ou conversinha de autoajuda, mas dá muito certo. No meu caso, a minha fé não era apenas em mim, era também em Deus, eu sabia que Ele estaria me guiando. Horas antes da prova eu pedi a benção de um padre, ele estendeu a mão sobre a minha cabeça e fez uma oração. Ao final, ele disse: "é você que tem que acreditar". Aquilo me aliviou, me tranquilizou.
Mas na hora da prova não tem jeito, o nervosismo sempre pega a gente. Eram 13 pessoas, 12 mulheres e apenas um homem. Acho que tinha muito hormônio feminino reunido ali, era muito "mimimi", muita conversa fiada e blablabla sobre a prova. Quando chegou perto da minha vez eu me afastei, tentei não deixar que o nervosismo alheio me atrapalhasse. A baliza foi um show! Mas meu problema era sempre o percurso. Cheguei na lomba, a temida lomba, justamente a pior onde o examinador poderia me levar. Estacionei e na hora da arrancada os pneus cantaram levemente. Perdi 3 pontos. Minha sorte é que eu não sabia dessa penalidade, senão teria ficado ainda mais nervosa. Saí da lomba e o examinador deu só uma voltinha e em seguida eu já estava de novo no local de saída da prova. Pensei: "passei, eu devo ter passado. Será que não?". Quando desci do carro eu mal sentia as pernas, elas estavam bambas! Não consigo me lembrar de alguma outra ocasião da minha vida em que isso tenha acontecido. E o examinador não falava NADA, só escrevia, escrevia, escrevia... Até que eu disse: "me fala logo esse resultado porque eu to tendo um ataque". Aí ele disse: "parabéns!"
Nunca, em nenhuma das 6 vezes em que rodei, eu derramei uma lágrima. Não sei explicar porquê, às vezes tinha vontade, mas o choro simplesmente não vinha. Mas diante da vitória eu desabei em choro, abracei meu instrutor e finalmente respirei aliviada.
Não fosse essa demora para obter a CNH eu já poderia estar online. Mas prefiro acreditar naquela frase clichê que diz que "Deus escreve certo por linhas tortas". Aprendi muita coisa nesse período em que o meu processo de au pair estava praticamente paralisado pela falta da bendita carteira de motorista. Treinei a paciência, descobri sentido em coisas que antes me pareciam sem explicação e adquiri mais autoconfiança. Além disso, se tivesse passado de primeira eu com certeza não seria uma boa motorista. Naquela época eu não estava pronta. Depois de cada reprovação, eu remarcava mais aulas e pagava uma nova taxa pelo reteste. Para ser sincera, eu me sentia extorquida toda vez que entrava ou saía do CFC. Aquilo é uma máquina de arrecadar dinheiro. Um absurdo! E eu sempre ali com meu cartaozinho da poupança (dinheiro que guardei para o au pair) estendido em direção a atendente: "passa no débito, por favor". E assim foram-se cerca de 2.500 reais!!! Essa deve ser a CNH mais cara de todos os tempos. Viu? Quem mandou rodar tantas vezes e marcar tantas aulas extras? A parte boa de tudo isso é que hoje, depois de ter passado por essa situação, eu me sinto uma motorista de verdade! Hoje eu encaro o volante com segurança!
Essa vitória tem um gostinho super especial porque eu só tirei a CNH em função do au pair. Antes de decidir encarar esse intercâmbio eu nunca tinha nem ligado um carro. Agora vou procurar praticar mais e mais e, se der, arranjar algum carro automático para já ir me acostumando.
Em pouco tempo estarei online pela CI - APC, assim que eu tiver a CNH em mãos (a princípio, na próxima quarta-feira, 15/05) meu app já estará saindo do status "Review by local rep" para ONLINE!
Para terminar, eu quero compartilhar com vocês o vídeo de uma música que me bota MUITO para cima.
"Times are hard, so lets drink to what we got. Take your shot, have some faith. Singing these long days will be worth it when we're older, weight is off our shoulder. I'll drink to that"
domingo, 5 de maio de 2013
ENTREVISTA E TESTE DE INGLÊS
A combinação da palavras “teste” e ”inglês” provoca calafrios em algumas pessoas. Comigo não é diferente. Cheguei a ficar com dor de barriga quando recebi um e-mail da minha agente da CI dizendo “Cris, nós precisamos refazer umas perguntas, só que desta vez será em inglês e tem que ser com a minha supervisora”.
Mil caraminholas passaram pela minha cabeça depois que eu li a tal frase. Por que em inglês se eu já respondi em português? E por que com a supervisora da minha a gente? Mas engoli o nervosismo junto com a síndrome de teoria da conspiração e estudei um pouco do que poderia ser a prova (sempre tem aquelas perguntas básicas, do tipo: why did you decide to become an au pair?).
Foram cerca de 30 perguntas! Entendi tudo o que a supervisora perguntava e, então, eu ia tentando responder. Com certeza devo ter errado a conjugação de alguns verbos ou mesmo a pronúncia de algumas palavras, mas o importante é que consegui me comunicar. No final da entrevista, o veredicto: “acho que você não terá problemas com o inglês nos EUA”. Que vontade de quebrar o protocolo e dar um beijo na supervisora depois de ouvir essa frase!!
Nunca fiz um estudo regular da língua nem frequentei cursinhos particulares. Tudo (ou quase tudo) o que aprendi sobre inglês foi sozinha (todo mundo sabe que filmes, músicas e livros ajudam bastante) ou na escola pública (onde a aula é uma piada. Anos a fio dedicados ao verbo to be haha). Então, para mim, é uma conquista ENORME alguém dizer: “your english is so good”. É óbvio que eu ainda tenho muito a aprender, sinto que meu nível é só intermediário mesmo, não é nem avançado…mas pelo menos é o suficiente para eu ser aceita no programa au pair.
Bom, mas a descrição acima é do teste que fiz na CI – APC. Quem leu o último post sabe que eu decidi ficar online pela CC também. Então tive que fazer mais um teste (tô quase experiente nesse negócio haha).
Minha entrevista pessoal e teste da CC estavam marcados para às 10h do dia 27/4. Fui super bem recebida pela Ana Luiza, responsável pela Cultural Care no Brasil, e pela Michele, que está sendo treinada por ela para ser representante de CC no Rio Grande do Sul. Meu encontro com as duas durou cerca de 1h30 e foi metade em português e metade em inglês. Elas me deixaram super à vontade, o que colaborou para a diminuição do meu estado de nervosismo. Senti como se fosse mais uma conversa informal do que um entrevista propriamente dita.
Uma das coisas que eu acho mais bacana na CC é que eles são mesmo especialistas em au pair, estão envolvidas com isso o dia todo (diferente de outras empresas que trabalham com au pair, mas também desenvolvem outros tipos de intercâmbio). Adorei a entrevista e o teste de inglês da CC porque, no final, a Ana Luiza ressaltou meus pontos forte e fracos. Acho isso super importante porque preciso ter noção dessas coisas para saber no que posso melhorar e atrair mais famílias. A parte ruim foi que ela me disse que acha muito difícil que eu consiga embarque até o meio do ano. Não impossível, mas muito difícil, sobretudo porque ainda não tenho CNH.
Ah, quase ia esquecendo…. em uma escala de 4 a 7 o meu inglês é apenas 4, segundo as representantes da CC. Ou seja: é o nível intermediário mesmo (conforme eu já suspeitava). Eu realmente entendia tudo o que me perguntavam em inglês, mas às vezes eu me complicava um pouco para responder. O mais difícil, para mim, foi simular a chamada de resgate para o número de emergência americano (o famoso 911). Travei para explicar qual era o meu endereço, que seria o local do acidente fictício. No final, acabei rindo da minha própria desgraça hahaha
Provavelmente na segunda já recebo meu login do application e o boleto para pagar os R$ 310 da inscrição.
Agora é só continuar na caminhada.
ONLINE POR DUAS AGÊNCIAS?
Quase toda au pair sofre para escolher em qual agência vai depositar suas expectativas e, claro, seu rico dinheirinho. Eu escolhi ir de Au Pair Care (APC) porque tive exemplos próximos de pessoas que foram com essa agência e deu tudo certo com elas. Mas, ao mesmo tempo, nutria um sentimento especial pela Cultural Care (CC).
O problema é que a CC cancelou todas as representações que existiam no Rio Grande do Sul, o que me obrigaria a ir para outro Estado fazer entrevista pessoal e teste de inglês. Nesse meio tempo, a CI (Central de Intercâmbio), que representa a Au Pair Care no Brasil, abriu uma loja no campus da minha universidade! Bom, aí foi só alegria.
Fiz minha inscrição lá com eles em setembro de 2012 e, desde então, comecei a preencher application, fazer o vídeo, conseguir as referências, providenciar atestado médico…e todas as outras coisas que são necessárias para ficar online. Terminei tudo isso em dezembro. Mas faltou a CNH (e esse é um capítulo tão longo da minha vida que merece um post especial – mas não hoje).
Pois bem, como a CNH (ou melhor, a falta dela) começou a atravancar o meu caminho, eu passei a considerar mais seriamente a hipótese de ficar online pela APC e pela CC (para agilizar a minha colocação em alguma família, afinal, terei o dobro de chances ficando online por duas agências). Mas ainda havia o problema da representação no meu estado, aí, quase sem querer querendo, vi uma publicação no facebook da CC chamando as meninas do Sul para uma palestra em Porto Alegre. Não pensei duas vezes e pedi folga no trabalho (a palestra era às 11h30 de uma quinta-feira!). Liguei para a CC e confirmei presença no evento, aí a menina que me atendeu avisou que para fazer a entrevista e o teste de inglês eu deveria depositar R$ 40 reais na conta da CC antes do dia da palestra. Então a Cristiane saiu correndo para fazer o depósito e enviar o comprovante por e-mail.
Resumo da história: o comprovante foi recebido e, então, pude marcar a entrevista e a prova para sábado pela manhã (27/4). Só para esclarecer: na CC a candidata a au pair paga R$ 350 de inscrição (menos R$ 40 pelo teste) e o restante só depois do match. Então achei que valeria a pena tentar ficar online pelas duas agências.
Preciso contar que o dia da palestra (25/04) foi muito especial! Conheci a Eduarda Gatelli, que tem 18, é de Novo Hamburgo e também vai ser Au Pair (a gente se “conheceu” mesmo nesse grupos de au pair no facebook). Marcamos de pegar o mesmo trem até Porto Alegre. Por pouco não nos desencontramos, nessas horas a gente vê o quanto é importante ser pontual! Tagarelamos a viagem inteira (cerca de 45 minutos). Chegando em Porto Alegre, encontramos a Andressa Pazzini, amiga minha formada em jornalismo que está amadurecendo a ideia de fazer um intercâmbio (não necessariamente au pair). Mas alguma coisa me dizia que ela sairia da palestra apaixonada pela ideia de largar tudo aqui para viver um ano fora. O dia da palestra foi excelente para pensar na vida, rever prioridades e elencar as próximas metas e objetivos. E nada melhor do que compartilhar essas ideias com pessoas tão especiais e que estão passando (ou pensando) as mesmas coisas que eu. Sintonia total!
So, here I go again… Só esperando o login chegar para começar a preencher mais um application, correr atrás de mais algumas referências… É, vida de au pair não é mole nem enquanto a gente AINDA não é au pair!
I'M NOT THE ONLY ONE
Existe uma velha canção conhecida no mundo todo que diz: “You may say I’m a dreamer, but I’m not the only one”. John Lennon traduziu com ela o sentimento de muita gente, inclusive de nós, au pairs.
Desde o momento em que decidi mudar o rumo da minha vida encarando esse desafio nunca me senti sozinha. Toda au pair que se preze entra em vários grupos no facebook (e até em outras redes sociais), lê dezenas de blogs…enfim, a gente se joga de cabeça nesse novo mundo e encontra outras meninas que estão passando (ou já passaram) pelo mesmo que nós. Como mágica, cria-se uma identificação mútua e quase instantânea, em pouco tempo passamos a torcer uma pelas outras. Eu agradeço a cada uma com quem já conversei, já desabafei, já pedi ou dei conselho. Agradeço especialmente à Camila Mayuri, um anjinho que Deus colocou na minha vida para me dar inspiração e fazer acreditar que essa loucura toda vai dar certo.
Criei esse blog cheia de receio por meu processo estar tão no início (ainda nem estou online – em outro post explico os contratempos que tive). Mas entendi que cada uma tem sua própria trajetória e eu quero que a minha fique registrada em algum lugar, então que seja aqui. Já percebi, por experiência própria, que se a gente não registra, com o tempo, acaba esquecendo dos detalhes, postando aqui isso não vai acontecer (assim espero).
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