terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sobre o ano que passou...

A última vez em que estive aqui era maio de 2013. Hoje já estamos às vésperas de 2014. Mas eu tenho um motivo muito bom para ter me afastado do blog. Na verdade, os acontecimentos foram se atropelando e, pouco a pouco, essa página foi perdendo um pouco do sentido para mim. A Cristiane de maio de 2013 não é a mesma deste dezembro -  véspera de Natal. As transformações ocorridas foram tão profundas que eu quase posso tocá-las com as mãos. A rigor, nunca seremos os mesmos, a passagem inexorável do tempo vai nos transformar sempre, querendo ou não. O que importa mesmo é o que fazemos com isso. Sempre que falo sobre esse assunto acabo lembrando de um poema lindo, que diz: "atravessei o século e ainda não me percorri". Pois então, percorrer-se é sempre uma escolha. E uma escolha muito corajosa, diga-se. Mas, para variar, eu já estou divagando...

Chegou um momento em que o nome deste blog, "dreamer au pair", já não me dizia muita coisa (primeiro porque este não é mais um blog de uma aspirante a au pair, mas já estou me adiantando, a história é mais longa do que isso) e esse é o motivo da mudança para "voando as tranças". Cresci ouvindo minha mãe usar essa expressão. Quando ela dizia isso minha imaginação infantil produzia a imagem de uma guria andando velozmente em uma bicicleta enquanto o vento lhe balançava os cabelos cuidadosamente arrumados em duas tranças, uma de cada lado do rosto. Para mim, não há melhor tradução de liberdade. Ainda hoje quando ando de carro (a vida maluca da cidade me fez aposentar a bicicleta) gosto de abaixar bem o vidro e sentir o contato do vento com a minha pele. Tipo cachorro mesmo hahaha

Já to me enrolando e ainda nem comecei a contar porque tudo mudou tanto. Ok, vamos aos fatos. Em maio deste ano eu finalmente consegui minha CNH e pensei que iria ficar online em breve. Os planos de ser au pair continuavam firmes e, agora, cheios de esperança. Mas aí eu resolvi me inscrever para uma bolsa de intercâmbio e quem me conhece sabe que eu sempre quis ganhar uma bolsa (peraí, mas quem não quer???) então volta e meia me inscrevia para alguma. Só que dessa vez deu certo. Eu quase não cabia em mim de tanta felicidade. Apenas um dia depois meu castelinho de areia ruiu. Fui do céu ao inverno em 24 horas.

Agora começa a parte complicada e eu não sei até que ponto posso esmiuçar essa história por aqui. Resumindo: tive problemas com a bolsa, eu preenchia perfeitamente os pré-requisitos e também estava classificada segundo o edital, mas, por motivos que até hoje eu ainda desconheço por completo, a bolsa me foi, digamos assim, tirada. O argumento era: "o cálculo do coeficiente de rendimento é feito a mão (WTF??) e infelizmente houve um erro. Há um aluno com um décimo acima da sua nota e você, então, desce do 4º para o 5º lugar. São apenas 4 bolsas. Lamentamos o ocorrido e você está convidada a se inscrever para as bolsas que estão com editais abertos". Curiosamente só perceberam o erro depois que eu fui comunicada por telefone e email de que a bolsa era minha. Não vou entrar no mérito do cálculo a mão e nem ficar falando se eu acredito ou não que houve mesmo um erro (e não favorecimento de outra pessoa, já que eu nunca tive acesso aos "dados"). Apenas entendo que o certo seria analisar minuciosamente as médias de todos os inscritos e somente divulgar o resultado depois de ter certeza de que o cálculo está correto. Divulgar um resultado e depois voltar atrás é brincar com a vida das pessoa e eu demorei muito para me recuperar desse sobressalto. Veja bem, levei quase 7 meses para conseguir escrever sobre isso. Para usar um termo bem gaudério: sofri feito bicho.

Durante algum tempo eu ainda tive que aguentar as pessoas me parabenizando pela conquista e perguntando quando eu ia embarcar. Era o pior pesadelo que eu podia imaginar. Mas aí, nem sei bem como, eu respondia falando que estava tudo certo e avisando a data de embarque. Fiz isso enquanto não tinha uma resposta OFICIAL do órgão que me concedeu a bolsa (e depois a tirou de mim) porque eu resolvi LUTAR contra a injustiça. Prefiro não dar nome aos bois, porque, confesso, tenho medo de me incomodar. Mas ~ entendedores entenderão ~

Foi nessa época que a querida Bruna Amaral, a quem acompanho desde a época da coluna "Intercambiando" nas contra-capas do Caderno Vestibular de Zero Hora, escreveu em seu blog um post muito lindo contando um pouco da minha história. Eu havia contado a ela sobre a bolsa e agradecido pelo empurrãozinho que ela me deu falando as palavrinhas mágicas "eu simplesmente me inscrevi" em resposta a minha pergunta sobre como ela tinha ganho tantas bolsas de intercâmbio (se não me engano, na época, eram 6. E hoje ela está na Alemanha, adivinhem como... com uma nova bolsa! hahaha). Bruna me lembrou que é, sim, possível. E se eu tinha conseguido uma vez eu conseguiria de novo.Cada linha que eu tento escrever sobre isso acaba escorregando para um tom de "autoajuda" e esse não é meu objetivo aqui hehe. Só que, eu já ia me esquecendo, quando a Bruna publicou o post eu já estava, tecnicamente, sem a bolsa. Nunca havia sentido nada tão híbrido, era felicidade e tristeza ao mesmo tempo. E o pior: tinha que sofrer em silêncio. Enquanto a resposta oficial não saía eu não tinha nada, nem bolsa e nem novo-destino-possível (como reparação pelo suposto erro), eu só esperava, meio que anestesiada pela dor. E ela terminava o post dizendo: "Então, se inspirem  no exemplo da Cristiane e simplesmente corram atrás dos seus sonhos. Vale a pena mesmo". Corro o enorme risco de parecer piegas, mas eu chorei lendo isso. E digo hoje: obrigada de novo, Bruna. A única coisa que eu podia fazer por mim mesma era continuar. E cair faz parte. Levantei, juntei os caquinhos, e persegui lutando pelos meus sonhos. Não, mais do que isso, lutando pelos meus DIREITOS. O que tinham feito comigo era muito grave e todos os envolvidos sabiam que eu estava coberta de razão, não havia justificativas plausíveis para o ocorrido (e me desculpem por não poder ser totalmente clara aqui). Então, veio a resposta oficial: me foi oferecida uma bolsa semelhante, fora do edital. Se eu aceitasse o embarque seria dali a 20 dias. Eu disse sim e comecei a arrumar as malas. Meu novo destino seria a Coreia do Sul por 4 incríveis semanas!

É preciso dizer que eu nunca me senti menos merecedora dessa bolsa por não ter concorrido a ela no edital. Ela era minha por merecimento. O mais incrível é que, analisando os pré-requisitos da bolsa da Coreia e conversando com os outros contemplados, percebi que se eu tivesse me candidatado a ela eu teria ganho!! Isso porque a principal forma de escolha é pelo coeficiente acadêmico e o meu era o suficiente para ter entrado na classificação. Faltou o quê? Me inscrever, é claro.  Mas tenho como me defender: eu realmente não vi que essa bolsa estava aberta, do contrário certamente teria feito a inscrição. Quer motivo maior para acreditar que se deve sempre arriscar?

Mas a história não termina aí. Tive um mês maravilhoso na Coreia e voltei transformada. De repente, a ideia de ser Au Pair nos Estados Unidos não me parecia mais tão atrativa. Comecei a me deixar encantar pela Europa, cada vez mais. Aí vi a oferta de uma bolsa e então as palavrinhas mágicas "eu simplesmente me inscrevi" ressoaram na minha mente. Só que agora eu estava machucada, a casquinha da ferida mal tinha se formado e eu já estava lá cutucando ela com o dedo. Medo de acontecer de novo, medo de não acreditar mais na idoneidade da seleção, medo de não ganhar, medo até de ganhar. Mas onde já se viu ter medo de vencer? Resolvi meter todos esses medos numa gavetinha e me inscrever nessa nova bolsa para a Europa.

Qualquer um que já se candidatou para qualquer coisa nessa vida sabe que o processo gera sofrimento. Tentar controlar o poder sufocador da expectativa é um desafio. Mas, desculpem a ingenuidade de citar o óbvio, quem não se inscreve não ganha. Nunca. Aprendi com a Bruna que a gente nunca sabe o que esperar do "recrutador de bolsas" e, na pior das hipóteses, a gente sai mais experiente e já sabendo mais ou menos o que esperar da próxima seleção. Eu já tinha tentado várias outras vezes e já tinha me frustrado em todas elas. Na última foi o trauma que acabei de relatar. Mas algo me dizia que desistir não era o caminho. Pois bem, até parece brincadeira, ou uma peça pregada pelo destino, mas.... eu ganhei a tal bolsa para a Europa. Em 2014 esta guria, cujos pai estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental e a mãe concluiu o Ensino Médio depois de adulta com supletivo, vai acessar o Ensino Superior em uma das universidades mais antigas da Europa. Que salto de uma geração para a outra, não?

Mas, sempre tem um "mas" né, eu ainda não vou ficar falando qual a cidade, nem onde vou estudar, quanto tempo vou passar fora e tal... ainda faltam alguns meses para eu ir e até lá, enquanto eu não tiver meu visto e carta de aceitação, vou ficar na minha, ok? Acho justo depois de tanta coisa hehe

Escrevi tudo isso para dizer que, a partir de agora, esse não é mais um blog de Au Pair. É um blog de uma guria que gosta de andar por aí voando as tranças...

E FELIZ 2014 PARA TODO MUNDO!

P.S.: depois que tudo se acertar eu preciso quitar minha dívida com a Bruna. To devendo um post a ela contando a história completa







4 comentários:

  1. cristiane-do-céu, amei o texto.
    tu escreve mt bem, adorei as idas e vindas hehe
    acompanhei os passos desse processo, e me lembro de sofrer por ti com apenas a palinha que tive, do estado que tu ficou depois da notícia que ajudou a marcar o ano. bom, mas como tu mesma ja concluiu depois disso tudo: há males que vêm para o bem, e Deus realmente escreve certo por linhas tortas, que as vezes, são bem dificeis de entender.

    enfim, nesse ano sou mt grata por ter te conhecido e mesmo que tu não vá mais percorrer o mundo aupairiano - nao por enquanto rs - sei que a ligação que criamos é mt boa e forte, e que muita coisa nos espera pela frente!

    obrigada pela tua amizade e, feliz 2014!!

    ps: ja te disse antes né, esse título é perfeito pro blog :)

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  2. Gente… q post.. uma história! Ja amei o blog e estou te seguindo ta Cris.. Um maravilhoso 2014 e q tudo se realize! bjinho

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  3. Obrigada, Gisella querida!

    Um 2014 tudo de bom para ti também

    Beijoos

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  4. Eu que sou grata por ter te conhecido, Duda! Fico muito orgulhosa de ter tido um dedinho meu na tua escolha pela CC. E, como uma mao lava a outra, também tem um.dedinho teu no meu ingresso no eju <3

    Tenho certeza de q tu vai ter um ano incrível la nos EUA

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